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Rápidas de uma viagem a Itália

Sumi porque estava viajando semana passada, visitando amigos na Itália. Como estou com uma preguiça danada de blogar, deixo aqui um punhadinho de histórias e impressões do país em forma de bota:

*Roteiro: Milão, Veneza e Varenna (ao lado do lago Como)

*Milão não tem italianos.

*O país morre em agosto. Praticamente todas as lojas fecham de férias. Em Milão, só 60 lojas estavam abertas!

*Chineses são bom pizzaiolos.

*Eles têm, definitivamente, o melhor sorvete do mundo....

*... e São Paulo tem a melhor pizza do mundo (podem me apedrejar)

*Homens italianos adoram fazer a sobrancelha (blagh)

*As pias italianos têm pedal para ativar a água da torneira...

*... e alguns banheiros têm a privada turca, aquela que você mija de cócoras.

*Acho que as grandes expectativas estragaram o que eu pensava de Veneza: não é tão bonita assim.

*Ainda sobre Veneza: como uma cidade em que você mal consegue andar, de taaaaaannnntooos turistas, é considerada romântica?

*Ande às margens do rio Vltava à luz do entardecer e depois conversamos sobre qual é a cidade mais romântica do mundo.

*Se não sabe qual é o rio Vltava, dá um google.

*Milão-Veneza, três horas de viagem em um trem, uma mulher fedidíssima sentada de frente para mim. Odor de gente de rua, que nunca tomou banho na vida. Muito azar.

*Até o cara que furava os bilhetes reparou no odor da senhorinha.

*Os italianos adoram uma conversa jogada fora. Adorei, saudades das conversas fiadas no Brasil com os vendedores de lojas, o carteiro, etc.

*Vamos vistar uma igreja. Opa, tem Missa? Esqueci que na Itália as igrejas não são apenas Museus como as tchecas.

*Não tente molhar tua mão nas águas do Como, sem antes notar onde está pisando. Você pode parar com a metade do corpo dentro d'água. E encarar o trem com calça jeans e a bunda molhada não é nada agradável, believe me.

 

 

 



Escrito por Tati Thé às 16h54
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Batman e o câncer na garganta

Finalmente Batman chegou e eu vi. E me arrependi.

Alguém me explica por que raios o Bruce Wayne faz aquela voz rouca ridícula quando se torna o Batman? Eu tinha um ataque de riso toda vez que ele abria a boca. E já tem até vídeo no Youtube brincando com este fato.

Além disso o filme é muito longo e eu não via a hora de terminar. Mas, realmente, como disseram por aí, o Heath Ledger está ótimo como Coringa! E o Batman não é de se jogar fora...



Escrito por Tati Thé às 05h56
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Alta natalidade

A República Tcheca está vivendo um Baby Boom daqueles. É tanta gente parindo, que a mulher deve se registrar em alguma maternidade assim que descobre que está grávida, caso contrário, ela corre o risco de não conseguir leito na hora do parto. Aliás, nem o registro garante. Já soube de casos em que a futura mãe, registrada, chega com as contrações, a maternidade está lotada e ela tem que passar por todas até conseguir ter o bendito. Às vezes, a coitada é mandada para outra cidade.
 
Com tantos bebês rosadinhos passeando pela cidade, fica difícil não querer ter um. Ainda mais quando eles começam a falar. Eu tenho impressão que tcheco é uma lingua inventada por crianças; ela soa muito "cuti-cuti" quando os pequenos falam. Eu já queria logo um bebê falando assim pra mim.
 
Mas, porém, entretanto, eu já decidi que só vou ter filhos depois de malhar e aprender tcheco ... (oi?)


PS maldosinho: a concentração de gestantes, idosos e criancinhas é tão grande que está impossível sentar no metrô.
PS feliz: minha cunhada entrou na onda dos bebês e está grávida. Ela já perdeu um bebê e agora contou pra gente só no quarto mês. Portanto, meu sobrinho tcheco lindo que não vai entender lhufas do que a tia fala, nascerá em janeiro!
 



Escrito por Tati Thé às 16h12
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Pensando na vida

Poderia não dar em nada. Um bate-papo como outro qualquer. Mas uma conversa na internet, quem diria, me jogou para o outro lado do Atlântico.

Tem gente que sonha em morar fora, não quer mais nem pisar no Brasil. Eu não sabia se queria morar fora ou não. Vim, tentei. Estou tentando, mas não me vejo morando aqui pra sempre. Aliás, pensar nisso me dá até desespero.

Eu acho que não tenho vocação para ser outsider. Nunca sofri preconceito e, apesar dos sustos, não posso dizer que tomei um tremendo choque cultural. A vida aqui é mais tranquila e sou muito grata a esta cidade que me deu emprego, sem nem ao menos eu falar a língua. Mas eu quero ir pra casa...

Não é amor pelo Brasil que me faz querer voltar. É a necessidade de se identificar com alguma coisa, de me sentir parte de algum lugar. De ouvir a própria língua, contar piada que só brasileiro entende, discutir os problemas, participar. 

Tem tantas perguntas que eu gostaria de responder... se eu teria conseguido emprego na minha área, onde eu iria comprar um apartamento, se eu ia saber escolher as frutas no sacolão, as carnes no açougue, onde meus filhos iriam estudar, coisas loucas que não fazem sentido algum. Sinto como se eu tivesse interrompido um processo que eu mal tinha começado. E comecei a traçar um plano que eu nem tinha almejado.

Será que um dia eu vou responder a alguma dessas perguntas? Nem que a resposta seja "Não deu, melhor voltar para Praga. Pelo menos a gente tentou". Espero que sim.

PS: Mãe, não se desespere com o post, eu tô bem.



Escrito por Tati Thé às 17h55
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Encontros e desencontros

Já começou a temporada de visita de amigos, conhecidos e agregados do Brasil à Praga!

A primeira visita, na verdade, foi um desencontro com o Sr. Paulo da ECA. Ele não apareceu no local combinado e ainda por cima só deu notícias dois dias depois! Mas, conhecendo a fama desta cidade, nem me preocupei. Sabia que ele deveria estar com uma turma de trebâdos pela cidade, ao contrário da Lilian que achou que ele tinha morrido quando eu comentei o sumiço.

Nos próximos dois finais de semana chegam mais três da ECA e o mais legal: chega também uma amiga de correspondência do Rio Grande do Sul. É isso mesmo, correspondência! Eu publiquei meu endereço no cantinho da amizade da revista do Cebolinha quando tinha uns treze anos e nós trocamos cartas por um tempão. Depois nos achamos no orkut e agora vamos nos ver bem longe de casa. Legal, né? 

 

 



Escrito por Tati Thé às 14h58
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Maldita demora

Tem uma brazuca que costuma dizer ao marido tcheco dela que ela veio do futuro.

O material escolar parece de 1930. A Coca Zero, não que me fizesse falta, mas ela só chegou aqui este ano. Burguer King está quaaaase chegando. O leite de soja é aquele natural horroroso, da época que ninguém queria tomar. Cadê o Ades?

Mas o pior de tudo é que Batman só estréia em agosto!!!!!

 

 



Escrito por Tati Thé às 05h47
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Post salada mista

Ai.... olha a falta que Lost me faz! Comecei a ver "Pantanal" no Brasil e agora estou acompanhando no youtube. Não sei o que me deu na cabeça. Deve ser nostalgia. Só sei que estou me divertindo horrores com a Juma.

E antes que digam que já esperavam isso de mim, que eu assisto um monte de porcaria na TV, fiquem sabendo que eu nunca gostei de novela. Se eu acompanhei duas do começo ao fim, foi muito. Não tenho a menor paciência.

***

Umas semanas atrás deu a maior ventania aqui em Praga. Agora eu vi que foi muito pior no resto do país. No caminho para a casa dos avós do Ian, vi um monte de árvores caídas e "decapitadas". Parecia cena pós Katrina.

***

Todo mendigo que eu conheço em Praga sabe falar inglês. Não adianta vir com o papo "nemluvím ceský" pra cima deles, que eles já te bombardeiam com expressões gringas. Taí, da próxima vez que minha sogra reclamar de aprender inglês, eu digo que até morador de rua fala melhor do que ela.

***

Comi cereja direto do pé. Nham nham.

***

Ainda assim prefiro um belo pé de manga.



Escrito por Tati Thé às 16h50
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Sampa em propaganda tcheca

Tomei um susto quando vi a ponte estaiada, novo cartão postal paulista, em um cartaz no ponto de ônibus.

Achei esta foto no site da Skoda. Na foto do cartaz, a ponte estava mais óbvia. Mas dá para perceber que é ela, não?



Escrito por Tati Thé às 16h28
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Saudades dos meus pets

Toby e seu jeito meigo e molhado de saudar os amigos

Rosinha só bebe água da torneira



Escrito por Tati Thé às 15h19
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Rápidas da minha viagem a Sampa

*Vi quase todo mundo, até amigo que eu não via há anos. Mas por erros crassos de comunicação, não vi minha irmã. Da próxima vez, ela tem que estar na agenda (ela adotou um menino de cinco anos lindo que eu preciso ver!!!)

*Minha pele ficou horrível, muito mais suja. Quando a gente sai de Sampa, descobre que nossa cor natural é mais branca do que imaginava.

*Definitivamente acredito que a única solução para o trânsito de São Paulo é o suicído em massa de umas oito milhões de pessoas. É só converter o Silvio Santos, o Maluf e a Xuxa à seita de Jim Jones, que esta idéia dá certo.

*Os magnatas em Sampa são muito mais felizes que os simplórios ricaços de Praga. É muito luxo para o meu ver, ui.

*Agora acredito que há comida boa e barata em Sampa. Conheci, graças à Denise, o restaurante mineiro "Tempero das Gerais". Dá para comer muito bem por menos de 15 reais. E não se engane pelo cardápio: o prato para duas pessoas, serve cinco! 



Escrito por Tati Thé às 15h59
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Cheguei!

Oi, pessoas.

Cheguei ao Brasil ontem, cinco e meia da madruga. Já dormi umas 16 horas, comi arroz, feijão, bife, macarrão com linguiça, uns cinco pães franceses, coxinha, doce de goiaba com queijo, tomei guaraná e leite de soja. Acho que o regime de engorda vai dar certo (quero ganhar três quilos!).

Ah, descobri que ainda não esqueci como se dirige, depois de meses e meses sem pegar no volante. Fora umas gorfadas na hora de brecar, foi tudo bem.

Passei no supermercado e comprei várias besteiras. Minha maior frustração foi saber que bebezinho agora só tem uns recheios estranhos de morango e chocolate. Cadê o bebezinho com creme?

Dormi com minha gatinha e acordei brincando com o cachorro na cama. Dei uma zapeada na TV e lembrei que no Brasil também há muita gente feia (minha memória seletiva só se recordava de tipos globais). Aquela mulher melancia é feia pra diabo.

Ah, e tô achando tudo muito caro....



Escrito por Tati Thé às 18h07
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Quase aí

Domingo estou chegando no Brasil!!!

Estou com medo de deixar o marido sozinho em casa. Não contei aqui no blog: há um mês atrás, ele largou a chama acesa, depois de fritar um ovo. Eu fui perceber quase 24 horas depois. Só não fez um furo na frigideira porque era a chama pequenininha e estava bem fraca.

Hoje, eu estava passando roupa, quando comecei a sentir um cheiro de queimado. Cheirei o ferro e não entendi nada. Não podia ser ele. Olho para a cozinha e está lá, uma chama acesa com a panela que meu marido tinha cozinhado salsicha, já seca.

Estou tentando convencê-lo a dormir na casa dos pais durante estas duas semanas, pelo bem do nosso patrimônio.



Escrito por Tati Thé às 17h47
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À brasileira

Sábado teve festinha de aniversário da filha de um casal de amigos brasileiros. Ela completou um aninho e é o bebê mais simpático que eu já vi. Do tipo que chora quando as visitas vão embora.

Comi muita coxinha, empadinha e risoles. Teve também brigadeiro e beiijinho de copo, mais cajuzinho. Coisas que enjoava comer no Brasil, é um jantar dos deuses por aqui.

O marido foi e ficou perdido no meio dos brasileiros, franceses, japoneses, cubanos, etc. Os poucos tchecos que havia, com exceção dele, falavam português. Resultado: ele se enfiou no quarto das crianças e ficou brincando a festa inteira. Depois toca eu aguentar escutar, o tempo todo: "seu marido tem que ser pai, logo! Ele leva muito jeito com as crianças!".

Socorro.



Escrito por Tati Thé às 17h39
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À indiana

Quem trabalha fora sabe o quanto enjoa comer em restaurante, todo santo dia. Ainda mais quando não se tem muitas opções ao redor, como é o meu caso. Por isso eu sou da turma das marmiteiras que come na cozinha, papeando com as colegas, depois dá uma voltinha para fazer a digestão.

Lá no escritório, na hora do almoço, rola uma evidente divisão entre os estrangeiros e os tchecos. Eu almoço sempre com uma indiana, uma mexicana e uma brasileira, todas de outro projeto. Ah, e agora também com a brasileira que trabalha comigo. É ótimo porque a gente sempre troca impressões sobre os tchecos e divide hábitos dos nossos países.

Um dia desses, a indiana me viu comendo feijão e perguntou como eu preparava. Expliquei, como se fosse a coisa mais difícil do mundo, que eu cozinho, depois refogo alho e cebola, jogo parte do feijão, amasso, coloco sal, etc e tal. Depois da explicação, ela soltou um "ah, tah" não muito excitante.

Dias depois, ela abre a marmita dela e, para minha ingênua surpresa, era arroz e feijão. Fiquei toda empolgada, disse que parecia comida brasileira e ela riu. Contou que era a comida preferida da filha dela. Só que uma coisa me intrigava: o feijão dela era muito mais bonito do que o meu. Perguntei como fazia e ela explicou que colocava extrato de tomate e curry para temperar.

Pô, sacanagem. Primeiro, descubro que arroz e feijão não é unanimidade brasileira. Segundo, descubro que o feijão indiano é muito mais legal. 

Uma parte de meu orgulho nacional está profundamente ferida :( 



Escrito por Tati Thé às 16h54
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Quando uma palavra errada quase acabou com meu casamento

Sabe aqueles comerciais sobre as trapalhadas de quem está aprendedo uma língua estrangeira? Tipo brasileiro que fala "push" para "puxar" e espanhol que ouve que a mulher está embaraçada e pensa que ela está prenha? Pois bem, depois de um tempinho aqui, eu comecei a reparar nos erros que os tchecos fazem quando falam inglês.  

O erro mais comum, na minha opinião, é a confusão entre "to learn" and "to teach". Em tcheco, assim como no russo, o verbo é o mesmo: "utit". A diferença é que, "estudar", é usado na forma reflexiva "utit se".

Meu marido confunde muito "grapes" and "wine". No tcheco, "vino" é tanto uva como vinho. O coitadinho vive dizendo que vai comer umas "wines".

Uma outra confusão que os tchecos fazem com o inglês rendeu uma história cômica comigo e meu marido. Nós estávamos vendo aquela velhinha que fala sobre sexo, a Sue, falando sobre vibrador, quando ele se lembra de um episódio:

- Ah, eu já vi um vibrador. Era da irmã da minha ex e ela tinha pegado emprestado. Aliás, foi engraçado, nós estávamos no ponto de ônibus e eu estava "wearing" o vibrador e...

Opa, opa, opa!!! Pausa dramática. Como assim, "wearing"? Ele estava vestindo? Ou quis dizer usando? Nela? (!) Nele? (!!!!)

Eu estava chocada. Pasma. Enojada. Veio uma cena terrível na minha cabeça. E em pleno ponto de ônibus? Eu sabia que os tchecos eram liberais, já vi cenas dignas de filmes eróticos em pleno parque,  mas meu marido sempre foi um santo! Eu nunca imaginaria isso dele, nunca! Como ele pôde? Não podia acreditar que aquele era homem com quem eu tinha me casado. Estava pronta para pegar um avião e voltar rapidinho para o Brasil, tamanha vergonha.

Meu marido não entendia a indignação:

- Não, eu não usei nada! Estava na sacola o tempo todo!

- Mas você disse wearing!

- É, wearing, na sacola!!!! Segurando, dentro da sacola!!!

- Segurando ou wearing?

- Não é a mesma coisa? Wearing não serve pra segurar também? Em tcheco é o mesmo verbo...

Aí eu contei o que eu pensava que tinha acontecido e a gente se matou de rir.

PS - Ah, o fim da história engraçada dele é esta: a ex pegou o ônibus e esqueceu a sacola com ele. Ele chegou em casa, sem saber ainda que o vibrador lá estava. A mãe dele achou e saiu correndo pela casa com a réplica pulsante da genitália masculina na mão.

PPS - Aqui eles chamam vibrado de Robertek, ou Robert! Isto me fez lembrar a polemica escolha do nome Braulio!!!!



Escrito por Tati Thé às 17h15
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