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Estranha obsessão momentânea

De vez em quando eu fico obcecada por determinados assuntos. Há alguns anos eu lia tudo sobre Praga. Agora estou aqui.

De duas semanas para cá, estou me alimentando de tudo que se trata sobre seitas americanas que praticam a poligamia. Mas acho que, desta vez, não vou seguir minha obsessão, hehe.

Eu acompanho a série "Big Love" desde 2007. Estava curiosa em saber como vivem estes em um "casamento plural", em segredo, nos subúrbios de Salt Lake City. Mas a série me mostrou o outro lado da história: o do fundamentalismo mórmon, que eu nunca tinha ouvido falar (lembrando que os mórmons aboliram a poligamia há mais de um século, sendo os fundamentalistas dissidentes desta religião).

Há duas semanas comecei a ler "Escape", de Carolyn Jessop, uma mulher que fugiu da FLDS, a maior destas seitas. Eu mergulhei no livro e disparei a procurar textos e vídeos sobre o assunto - graças a meu trabalho que me ocupa apenas duas horas por dia.

Carolyn era casada com um dos homens mais importantes da comunidade (ele é, inclusive, o bispo do rancho invadido pela polícia no Texas, em 2008). Ela escapou após anos de abuso físico e moral. Sua família pratica a poligamia há gerações e ela compartilha, no livro, a história e o estilo de vida da seita.

Vale um spoiler do livro? Eu já sabia do fato antes mesmo de começar a lê-lo. A segunda filha de Carolyn, Betty, voltou para a comunidade e a casa do pai quatro anos após a fuga, ao  completar a maioridade. Ela nunca aprovou a decisão da mãe e não se adaptou à nova vida. 

Há quem acuse Carolyn de exagerar e inventar fatos em seu livro. Fantasia ou não, a verdade é que ela não foi a primeira a fugir, nem será a última.  Dos poucos que escaparam com sucesso, muitos criaram organizações de apoio aos fugitivos e criticam duramente o profeta Warren Jeffs e outros líderes. Se para sair de uma religião é necessário, literalmente, escapar, boazinha a FLDS não é.

Tudo me intriga na FLDS. A começar pelo vestuário. Algumas denominações evangélicas também proibem a mulher de cortar o cabelo, usar calças, demonstrar vaidades, etc. Mas ela foi mais longe e inventou a moda do mega-topete:

(Foto: Trent Nelson)

Também me surpreendi com o sucesso econômico de seus praticantes: eles são donos de construtoras, hotéis, fábricas de cimento e outros negócios. E agem como mafiosos, banindo e perseguindos seus "traidores".

Eu poderia escrever durante horas e horas a respeito do profeta Warren Jeffs (hoje preso acusado de incesto e de abuso sexual contra menores), o domínio da religião sobre a esfera pública em Colorado City e Hildale (onde mora a maior parte das famílias da FLDS), os processos judiciais, as centenas de garotos expulsos da comunidade, mas daí ia virar um blog sobre fundamentalismo/poligamia e esta não é a minha intenção.

Para quem quiser saber mais sobre o assunto, além de ler "Escape" e assistir a "Big Love", recomendo o blog "The Plural Life", da jornalista Brooke Adams, que cobre o assunto, e do fotográfo Trent Nelson, que a acompanhou durante parte da cobertura (e tirou fotos lindas dos moradores da comunidade). Recentemente saiu também uma matéria na "National Geographic".

No Youtube tem uma série de reportagens sobre o assunto, é só procurar por"polygamy", "colorado city", etc. A Oprah fez uma visita ao Yearning for Zion, o tal rancho no Texas, entrevistou a Betty, mas os vídeos dela são impossíveis de encontrar na Internet. Se alguém souber onde achar, manda um comentário, please. Eu só achei os vídeos do site dela e não tem o programa na íntegra.

 



Escrito por Tati Thé às 10h50
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