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Recadinho

Oi!

No post anterior eu deixei um e-mail do UOL para contato. Eu peço desculpas se alguém escreveu e eu não respondi, é que eu abro este e-mail uma ou duas vezes por ano e só tem SPAM, então, eu costumo apagar tudo.

O melhor é entrar na comunidade de "Brasileiros em Praga" do Facebook (as comunidades do ORKUT andam meio mortas). Eu estou lá, mas tem gente bem mais qualificada do que eu para responder qualquer dúvida que vocês tenham sobre a cidade e o país.

Só um triste update local. Para quem não sabe, dia desses morreu Vaclav Havel, o primeiro presidente da Tchecoslovaquia pós-revolução. A praça principal ainda está cheia de velas em sua homenagem.

Beijinhos

 

 



Escrito por Tati Thé às 08h53
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Desculpe pela ausência

Então.

É o fim do blog.

A verdade é que eu não sou mais a mesma Tati que começou escrevendo aqui. Parece que o blog é filho de outra pessoa e eu sou uma babá que vem aqui para cuidar dele, de vez em quando.

Se eu achar que me convém, vou criar outro blog, mais a minha cara atual.  Quem quiser manter o contato, ou pedir maiores satisfações pelo fim do blog, ou mandar ameaças de morte (desculpe a prepotência), é só escrever para tatithe@uol.com.br.

Beijinhos e obrigada por tudo!

PS: Tenho um post sobre dois parques em Praga, guardadinho, mas ainda não subi as fotos. Vou tentar postar ainda este mês.

 



Escrito por Tati Thé às 09h31
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Eu não sei usar garfo e faca

Sempre achei que usar garfo na mão esquerda era coisa de rico, dessas que a gente aprende em aula de etiqueta em programa feminino. Mas desde que eu cheguei aqui, morro de vergonha. TODO mundo sabe comer certinho. Eu só uso o garfo na mão esquerda quando estou cortando o bife com a direita, mas não tenho coordenação suficiente para enfiar na boca um garfo cheio de arroz. E já reparei que todo europeu que eu conheço faz o mesmo. Pelo que me contaram, eles aprendem desde cedo, tanto na escola como em casa.

Entretanto, parece que essa "falta de etiqueta" é geral em todas as Américas. Em "Food Revolution", o chefe inglês Jamie Oliver fica chocado ao ver as crianças de uma escola usando somente a colher (veja a partir de 1:41 no vídeo abaixo). Conversando com um amigo espanhol que namorou uma americana, ele me contou que a sua ex também sofria com os talheres quando foi visitá-lo na Europa (e ela já era adulta!).





Ou seja, vivendo aqui, descobri que crianças podem aprender desde cedo como cortar o próprio bife. E com classe!



Escrito por Tati Thé às 16h22
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Graças ao Youtube, desenterrei "Vale Tudo". Não tenho muita paciência para novela, mas é a melhor coisa para se ver passando roupa.

Não lembrava de quase nada. Só tinha uma vaga lembrança da Regina Duarte vendendo sanduíche na praia e do Fabio Villaverde com o cabelo oxigenado. E sei quem matou Odette Roitman, mas já não lembro o porquê.

O texto da novela não é muito datado (por isso é tão bom), mas o legal é que já deu para pescar duas expressões surpreendentes desta época. Ei-las:

1."Tirar um sarro": para mim, esta expressão significava somente "caçoar". Na novela, por várias vezes, eles utilizam como "dar uns amassos". Veja os vários significados em: http://www.dicionarioinformal.com.br/buscar.php?palavra=tirar%20um%20sarro

2."Transar": eu achava que era apenas "fazer sexo", mas pode ser também "fazer um acordo", "fazer um negócio", como em "ele transou um negócio aí". Segundo o dicionário Houaiss:

Regionalismo: Brasil.
transitivo direto e transitivo indireto
1    negociar ou fazer operação comercial com; transacionar
Ex.:
transitivo direto
2    Uso: informal.
     chegar a um acordo a respeito de; ajustar, combinar
Ex.: convidou-o para sócio, mas ainda não transaram os detalhes da sociedade
bitransitivo
3    Uso: informal.
     conseguir, arrumar, arranjar
Ex.: Carlos transou um bom emprego para o filho
transitivo direto
4    Uso: informal.
     tramar em segredo a execução de (mau desígnio); maquinar
transitivo direto
5    Uso: informal.
     gostar de, deleitar-se com, apreciar
Ex.: ela não transa filmes de terror
transitivo indireto e intransitivo
6    Uso: informal.
     ter ligação amorosa (com); namorar
transitivo indireto e intransitivo
7    Uso: informal.
     fazer sexo (com)



Escrito por Tati Thé às 10h00
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Mordendo a língua

É meio raro, mas tem dias da gente que parecem seguir um roteiro. É quando, sem querer, o que te acontece à noite vem completar o que aconteceu na tua tarde, sem que você faça nada para isso. Ou quando você pensa alguma coisa e esta coisa se concretiza. Enfim, de repente, teu dia não é um dia qualquer. É um dia com um desfecho quase que literário.

Quinta-feira foi assim.

Depois do trabalho, fui conhecer uma leitora aqui do blog que estava passando o mês na Rep. Tcheca (aliás, espero que ela tenha chegado bem ao Brasil com sua mala cheia de presentinhos Piscadela). Dentre as muuiiitas coisas que nós conversamos, comentei que não aprendi tcheco direito porque ainda não aceitei minha condição de "residente". Parece que eu tenho uma outra vida me esperando, lá no Brasil. Se eu aprender a língua, essa "vida" "desaparece" (sei que pedras vão voar, mas, analisando minha situação, é isso que acontece, simplesmente).

Outras coisas desanimadoras são a má-vontade tcheca em atender, o mau humor deles, o seu modo introvertido e milhões de coisas que já comentei aqui (generalizar faz parte, sorry). Segundo meu ex-colega de trabalho paraguaio, fluente em tcheco, a língua te ajuda a adaptar-se, mas também te atrapalha, porque você descobre que o povo aqui só fala m****. Nem dá vontade de aprender tcheco e falar com esse povo. Quem é interessante, fala inglês ou outras línguas. Depois do nosso encontro, voltei para casa pensando nessas coisas.

De repente, aconteceu a concretização do contrário do meu pensamento. Chegando no ponto de ônibus, fui direto olhar na tabela a hora em que o dito passava. Um cego se aproximou, com seu cão-guia, e ficou bem na frente da tabela. Eu me afastei, sem dar tempo de ver a hora, e caminhei para o lado. O homem, então, perguntou a que horas passava o ônibus. Já fui logo dizendo que não entendia tcheco:

- Ah, que pena - disse o cara.
- É, uma pena, hehe - respondi.
- Mas a que horas passa o 140? - ele pergunta, de novo, ignorando o fato de eu NÃO falar tcheco.

Eu tento me aproximar da tabela e vejo o horário, finalmente.

- 21 horas e 02 minutos.
- Ah, e que horas são???
- Errrrr.... - daí ele puxa um celular e escuta que horas são.

Penso "Beleza, não precisei gastar muito meu tcheco tosco" e já me afasto. Mas o homem resolve ir contra todas as regras da "má-vizinhança tcheca" e  puxa papo.

- Você é ucraniana? - é o que mais tem por aqui.
- Não.
- Russa? - também tem um monte de russas. Antes que ele tente vietnamita, que também tem de monte, eu já digo que sou brasileira.
- Brasileira? Ah, futebol, blá blá blá. Quando joga?
- Segunda... não, domingo!
- Ah, domingo. Futebol, blá blá - não entendi o resto.
- E você faz o quê aqui? Trabalha?
- Sim, trabalho. Meu marido é tcheco.
- Ahhh, tem marido tcheco.
- Gosta daqui?
- Hmmmm... éééé..... gosto.
- Muito frio, né?
- É, hehehe.
- E você mora em casa ou panelak?
- Panelak.
- Uyy - ele faz uma cara feia - e você gosta?
- Sim.
- Eu, não. Moro em uma vila, com casa, jardim...
- Que bom - respondo, embora eu discorde das vantagens. Casa dá o maior trabalho em país que neva.

A conversa durou uns 7 minutos, o tempo de espera do ônibus. Não entendi várias coisas, mas ele fazia questão de repetir, devagar, coisa que minha sogra, por exemplo, nunca fez. Juro que ela é legal, mas não tem paciência para certas (várias) coisas.

A parte mais engraçada da conversa foi esta:
- Blá blá blá - ele diz, jogando a cabeça para o lado do cachorro.
- Desculpa, não entendi.

Ele tenta explicar:

- Eu não vejo.
- Eu sei - tipo, totalmente desnecessário dizer que eu sabia que ele não podia ver, mas já foi.


Depois do mico (ele não pareceu ofendido), eu entendi mais ou menos que ele perguntava se existe cão-guia no Brasil. Eu disse que não muito, porque é caro. Ele diz que aqui também é. O dele era um labrador lindo, negro, chamado Pascal.

O ônibus já estava chegando. Do nada, ele abriu sua bolsinha, tirou uma barra de  chocolate (um que eu adoro, por sinal) e me entregou. Eu não sabia se ele queria que eu abrisse o chocolate para ele ou se ele estava dando para mim, fiquei sem reação por alguns segundos. Perguntei se era para mim, ele respondeu que sim, que era de lembrança.

- Não, por favor, não - disse, sem saber o que fazer. Queria dar a barra de volta para ele, mas pô, o cara é cego, como fazer? Com uma mão ele segurava o cachorro, com a outra ele segurava a bolsa. Eu não sabia se encostava a barra na mão, se tentava enfiar de volta na bolsa, se dava para o cachorro, qualquer coisa que me fizesse me livrar daquele chocolate. Neguei mais umas três vezes, mas acabei aceitando, MUITO sem graça.

Pegamos o mesmo ônibus e eu sentei de frente para ele. Ele ainda tentava falar comigo, mas com o barulho do ônibus e meu tcheco índio, ficou difícil. Antes que eu descesse, segurou a minha mão, como se soubesse o tempo todo onde ela estava, e se despediu.

Cheguei em casa tão leve... e feliz. Contei a história para o marido, entusiasmada. De repente, os tchecos não pareciam mais tão ranzinzas e a ideia de voltar a estudar a língua voltou. Tudo porque um homem resolveu falar comigo no ponto de ônibus.


***

Pensando bem, talvez ele fosse tarado e tenha dito um monte de obscenidades que eu não entendi. Mas, pelo menos, eu ganhei um chocolate.



Escrito por Tati Thé às 08h06
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Não durmo esta noite

Meu prédio sempre tem uma história bizarra, mas a de hoje foi insuperável.

Cada andar aqui do prédio tem uma varanda coletiva, trancada com chaves que só os moradores têm. Vira e mexe, alguém deixa a porta aberta e coisas desaparecem. Hoje, por exemplo, a vizinha bateu aqui em casa perguntando se a gente recebeu alguma visita. É que sumiu o pacote de "coca-cola"(era tubaína) que ela tinha deixado lá.

Não recebi visitas e confio nos meus amigos. Eles não mexem na tubaína alheia.

Daí ela desceu para avisar o zelador sobre o ocorrido. Uns cinco minutos depois, ela bate na nossa porta de novo:

- Foi um mendigo, eu tenho certeza! Fui no terceiro andar falar com o zelador e tinha um COCÔ gigante na frente do elevador. O intruso deve ter vindo da passagem subterrânea que tem aqui embaixo.

Pois é, acabo de descobrir que tem passagens secretas embaixo do nosso prédio, desde os tempos da guerra fria. E tem mendigos morando lá. E eles entram no meu prédio para tomar baré-cola e defecar.

Acabou-se todo o meu fascínio pelos porões da época da guerra.

***

Eu ainda acho que é mentira dessa mulher. Dá vontade de ir lá checar o cocô.

 

 



Escrito por Tati Thé às 16h08
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Nossa periferia

Já comentei aqui que moro em um "panelak", um tipo de prédio de moradia popular comum na época do socialismo. Eles têm diversos estilos e podem ser vistos em toda a Europa Oriental. O mesmo prédio poderia ser encontrado em Praga, Budapeste, Bucareste, Dresden, Moscou.... aqui abaixo eu dou um exemplo. Os prédios não são exatamente iguais, mas bem parecidos.

O primeiro fica aqui perto de casa. Na verdade é um bloco com vários panelaks grudadinhos:

Estes ficam Rússia. Notaram como são parecidos?

A foto acima é do flickr desta fotógrafa russa: http://www.flickr.com/photos/olyaivanova/

E o flickr encontrei no blog Minas de Ouro



Escrito por Tati Thé às 14h08
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Pedido de desculpas

Eu sei que os últimos posts foram patéticos (a ausência de comentários é prova disso).

Eu sei que não falo mais nada sobre a RT.

Eu sei que minha vida se tornou extremamente desinteressante a ponto de eu não ter mais o que escrever.

Prometo fazer posts melhorzinhos, já que este é um um blog em vias de morrer e o mínimo que devo aos meus míseros leitores é dar uma morte digna ao dito cujo.

Perdão!

***

Tenho um post na cabeça, mas preciso enfiar o cabo na câmera e baixar umas fotos para fazê-lo. E estou com preguiça de fazer isso. Kill me.

***

Dica da tia: nunca, na sua vida, comece a jogar estas porcarias do tipo que você é um deus, que vai construir uma cidade, montar uma civilização, cuidar da rotina de uma família, a que horas eles comem, cagam, etc. São extremamente viciantes. Já se você for preso, é um  boa ideia exigir um computador com somente um joguinho deste tipo. O tempo passa que é uma beleza.

 

 



Escrito por Tati Thé às 06h31
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Adolescente, um bicho esquisito

Daí que eu estava vendo o Fan-fan-tástico e tinha uma matéria com um tal de Luan Santana. É um tal de caipira-fenômeno que mexe com os hormônios das adolescentes brasileiras. Canta sertanejo ou brega romântico, não sei, hoje em dia é tudo a mesma coisa. Enfim, achei o moleque chato, metido e, acima de tudo, feio. Não entendo o que essas meninas tanto vêem nele. É esse aqui, ó:

E tem um tal de Justin Bieber. Eu não sabia quem era até vê-lo nos TT do Twitter. Dei um Google e achei um INFANTE com cara de menina lésbica. É esse(a) aqui, ó:

Pois é, não entendo o que essas meninas vêem neles. Mas aí, lembrei do que minha irmã gostava quando tinha 15 anos:

Alguém explica?

***

Juro que fui uma adolescente extraterrestre e exigente que só gostava de caras realmente gatinhos (e alguns anos mais velhos). Eu não curtia música, não era fã de nenhuma banda (bizarro). Mas, aos 13 anos, vi Christian Bale rebolando em "Newsies" e achei lindo de viver. Eu até tinha esta foto do filme na agenda:

E adorava também Ethan Hawke, desde o filminho-sessão-da-tarde "Que garota, que noite".

Diz aí, eu não tinha bom gosto?



Escrito por Tati Thé às 11h19
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Gringo quer pão

Já contei este episódio para várias pessoas, mas achei tão bonitinho, que resolvi repetir/compartilhar aqui também.

O Honza, meu marido, ficou fascinado pelo esquema das padarias brasileiras. Não sei bem por quê, já que aqui também existe padaria. Concordo que é diferente, mas você também pede o pão e eles te cobram depois. Acho que o tédio dele era tanto, que o ponto alto do dia era acordar e ir à padaria com meu pai.

Um dia, à tarde, a gente estava sem pão em casa e ele resolveu ir à padaria.

- Tati, give me some money. I'm going to buy some bread.
- By yourself? Are you nuts? You don't speak portuguese and they don't speak english. What are you gonna say?
- "Cinco pão" - disse ele, fazendo o número com a mão.
- HAHAHAHAHA
- Did I say something wrong?
- Yes, but... It was very cute. They would understand you, don't worry. It was perfect.

No final das contas, fui com ele à padaria.



Escrito por Tati Thé às 06h19
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Momento nhé nhé nhém

Minha sogrinha faz comidas simples e baratas. Sempre dá preferência a legumes em conserva ou congelados, prepara café de marcas suspeitas, quase nunca cozinha carne bovina e adora um ketchup no lugar do molho de tomate.

Daí que meu marido viveu vinte e seis anos com a mãe e, de repente, virou o maior afrescalhado. Não aceita algumas marcas de arroz, não gosta de ketchup ou certos tipos de molho de tomate (ou os tomates em conserva que eu adoro), tem asco a pão de forma e, para piorar, entrou na onda "bio" e começou a gastar com produtos orgânicos, do tipo SALSICHA. Até vai leite, carnes, legumes, mas salsicha orgânica? A graça da salsicha é ser barata e ter gosto de papelão. Escolhe pagar caro e resolve gastar em salsicha? Fala sério!



Escrito por Tati Thé às 10h38
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Ovos de Páscoa

Sempre reclamo da falta de ovos de Páscoa aqui na Europa. A maioria dos produtos desta época são ovinhos pequenos, bombons, coelhinhos de chocolate, ovos cozidos pintados, enfeites, entre outros. Isso acontece porque as crianças (ou melhor, meniNOS de todas idades) costumam ir de porta em porta, batendo nas mulheres para dar sorte e ganhar chocolates em troca (já contei isso aqui no blog). É uma coisa Halloween, só que mais violenta.

Hoje, li um post que desfez toda esta saudade. Estas marcas de chocolate famosinhas estão aumentando cada vez mais os preços dos produtos de Páscoa. A diferença entre o preço do chocolate em barra e da sua versão em ovo é um absurdo (leia o post aqui).

Não consigo imaginar este tipo de abuso aqui na RT, graças ao antigo regime que "educou" os consumidores a não gastar tanto com baboseiras, especialmente em datas especiais.

Agora, só falta o capitalismo educar os tchecos a serem mais gentis no atendimento ao cliente.



Escrito por Tati Thé às 10h45
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O que aconteceu com o Glauco e o filho dele é exemplo da ÚNICA coisa que me faz não querer viver no Brasil: a violência.  Eu não faço dinheiro aqui, odeio o inverno, a comida, o povo.

O fato é que, aqui, eu vivo uma vida NORMAL. Antes, eu achava que normal era viver com medo. Achava que "coisa ruim" poderia acontecer em qualquer lugar do mundo.

Mas violência não é "coisa ruim". "Coisa ruim" é ataque de psicopata, de gente atormentada, possuída pelo demônio, o que seja. É um mal que a gente não pode evitar. Quando apontaram uma arma para a minha cara, eu dei graças a Deus por não ter morrido e segui. Hoje eu sei que aquele momento foi absurdo. Aquela arma não deveria estar ali.

Não vou discutir a solução, isto é apenas um desabafo. E podem até dizer que é fácil para eu dizer isso, porque estou aqui na Europa, me safando deste problema. Pois é, estou, mas juro que não foi assim que eu planejei. Só sei que esta situação vai demorar anos para mudar e eu gostaria de ajudar, de alguma forma.

 



Escrito por Tati Thé às 09h42
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Tchecos e relacionamentos (conjugais)

(Antes de escrever o post, admito que estou fazendo generalizações; lógico que não fiz nenhuma pesquisa comportamental. Abaixo relato apenas o que eu notei no meu pequeno círculo social - composto por uns 100 tchecos, mais ou menos).

No Brasil é quase sempre assim: o casal namora, depois resolve morar junto e, mais tarde, casa. Há aqueles que decidem não morar juntos e noivam durante anos, até terem as condições necessárias para construir uma família. Aqui é praticamente a mesma coisa, mas os tchecos enxergam o casamento de maneira um pouco diferente.

Para um brasileiro, morar junto é praticamente um "um treino" para o casamento, ou o casamento em si, mas sem toda a burocracia. É uma decisão demorada, pensada, que requer certeza de que a relação pode durar. Já para o tcheco, morar junto é uma questão de praticidade e economia. Aqui não existe motel - ninguém quer gastar dinheiro para "fazer coisinhas" - e se a idéia é sair da casa dos pais, por que não chamar a namorada para rachar as contas? Não importa se o relacionamento só tem um mês: tchecos não têm medo de encarar o convívio sob o mesmo teto. Se não der certo, um sai e arranja outro lugar, simples assim.

Esse olhar prático dos tchecos também se vê no modo como eles nomeiam o parceiro. Namorado é namorado, enquanto não assinar o papel. O casal pode morar junto há dez anos, eles ainda referem-se um ao outro como "namorado" (na verdade, a palavra "pritel", que significa "namorado", também é utilizada como "amigo").

Mas quando os tchecos decidem, então, casar-se oficialmente? A resposta é, de novo, a mais prática e objetiva possível: quando eles decidem ter filhos. Três meses depois do casamento, é batata: lá está a recém-casada, com a barriguinha saliente.

Minha sogra chegou a pedir à minha cunhada que tentasse engravidar antes de marcar o casamento. Assim, ela teria certeza que o marido era fértil. Brincadeira ou não, foi o cúmulo do pensamento prático tcheco.

***

Sim, este foi o segundo post da série "Tchequices: três coisas que você precisa saber sobre a República Tcheca antes do blog da Tati morrer".

***

Desculpem-me se eu falei aqui alguma coisa que eu já tinha falado anteriormente. Estou velha e não lembro mais da metade do que já escrevi aqui.

***

Eu ainda estou um pouquinho obcecada pelos malucos da poligamia, mas fiz um tópico sobre monogamia, sinal que estou melhorando :D



Escrito por Tati Thé às 08h06
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Estranha obsessão momentânea

De vez em quando eu fico obcecada por determinados assuntos. Há alguns anos eu lia tudo sobre Praga. Agora estou aqui.

De duas semanas para cá, estou me alimentando de tudo que se trata sobre seitas americanas que praticam a poligamia. Mas acho que, desta vez, não vou seguir minha obsessão, hehe.

Eu acompanho a série "Big Love" desde 2007. Estava curiosa em saber como vivem estes em um "casamento plural", em segredo, nos subúrbios de Salt Lake City. Mas a série me mostrou o outro lado da história: o do fundamentalismo mórmon, que eu nunca tinha ouvido falar (lembrando que os mórmons aboliram a poligamia há mais de um século, sendo os fundamentalistas dissidentes desta religião).

Há duas semanas comecei a ler "Escape", de Carolyn Jessop, uma mulher que fugiu da FLDS, a maior destas seitas. Eu mergulhei no livro e disparei a procurar textos e vídeos sobre o assunto - graças a meu trabalho que me ocupa apenas duas horas por dia.

Carolyn era casada com um dos homens mais importantes da comunidade (ele é, inclusive, o bispo do rancho invadido pela polícia no Texas, em 2008). Ela escapou após anos de abuso físico e moral. Sua família pratica a poligamia há gerações e ela compartilha, no livro, a história e o estilo de vida da seita.

Vale um spoiler do livro? Eu já sabia do fato antes mesmo de começar a lê-lo. A segunda filha de Carolyn, Betty, voltou para a comunidade e a casa do pai quatro anos após a fuga, ao  completar a maioridade. Ela nunca aprovou a decisão da mãe e não se adaptou à nova vida. 

Há quem acuse Carolyn de exagerar e inventar fatos em seu livro. Fantasia ou não, a verdade é que ela não foi a primeira a fugir, nem será a última.  Dos poucos que escaparam com sucesso, muitos criaram organizações de apoio aos fugitivos e criticam duramente o profeta Warren Jeffs e outros líderes. Se para sair de uma religião é necessário, literalmente, escapar, boazinha a FLDS não é.

Tudo me intriga na FLDS. A começar pelo vestuário. Algumas denominações evangélicas também proibem a mulher de cortar o cabelo, usar calças, demonstrar vaidades, etc. Mas ela foi mais longe e inventou a moda do mega-topete:

(Foto: Trent Nelson)

Também me surpreendi com o sucesso econômico de seus praticantes: eles são donos de construtoras, hotéis, fábricas de cimento e outros negócios. E agem como mafiosos, banindo e perseguindos seus "traidores".

Eu poderia escrever durante horas e horas a respeito do profeta Warren Jeffs (hoje preso acusado de incesto e de abuso sexual contra menores), o domínio da religião sobre a esfera pública em Colorado City e Hildale (onde mora a maior parte das famílias da FLDS), os processos judiciais, as centenas de garotos expulsos da comunidade, mas daí ia virar um blog sobre fundamentalismo/poligamia e esta não é a minha intenção.

Para quem quiser saber mais sobre o assunto, além de ler "Escape" e assistir a "Big Love", recomendo o blog "The Plural Life", da jornalista Brooke Adams, que cobre o assunto, e do fotográfo Trent Nelson, que a acompanhou durante parte da cobertura (e tirou fotos lindas dos moradores da comunidade). Recentemente saiu também uma matéria na "National Geographic".

No Youtube tem uma série de reportagens sobre o assunto, é só procurar por"polygamy", "colorado city", etc. A Oprah fez uma visita ao Yearning for Zion, o tal rancho no Texas, entrevistou a Betty, mas os vídeos dela são impossíveis de encontrar na Internet. Se alguém souber onde achar, manda um comentário, please. Eu só achei os vídeos do site dela e não tem o programa na íntegra.

 



Escrito por Tati Thé às 10h50
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